
A Europa não usou palavras gentis para a decisão do presidente dos EUA de impor tarifas de 20% para os produtos europeus. Brutal e infundada, definiu o francês Emmanuel Macron. União Euopeia, Japão e China ameaçam retaliações aos EUA, depois do “tarifaço” de Trump
Líderes na Europa e na Ásia afirmaram que o pacote de tarifas de Donald Trump terá impacto negativo em todo o planeta e ameaçam com medidas de retaliação.
A Europa não usou palavras gentis para a decisão de Donald Trump de impor tarifas de 20% para os produtos europeus. Brutal e infundada, definiu o presidente francês, Emmanuel Macron. Ao receber representantes dos que exportam de conhaque ao champagne, de cereais a remédios, Macron sugeriu uma retaliação imediata.
“Parem de investir nos Estados Unidos”, disse o presidente da França.
Na Alemanha, o maior exportador europeu de carros de luxo para os Estados Unidos, o primeiro-ministro Olaf Scholz declarou que o governo americano está em um caminho que só terminará com perdedores:
“Este é um ataque a uma ordem comercial que criou prosperidade em todo o mundo”.
“É o caos. Em todo o mundo, milhões de cidadãos enfrentarão contas de supermercado mais altas. Os medicamentos custarão mais, assim como o transporte. A inflação aumentará. Sempre estivemos prontos para negociar. E também já temos um pacote de medidas para nos proteger se as negociações com os americanos fracassem”, declarou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.
Emmanuel Macron, presidente da França
Jornal Nacional/ Reprodução
O maior aliado dos Estados Unidos, o Reino Unido, taxado em 10%, não se apressará em agir para conter as tarifas. A ministra das Finanças, Rachel Reeves, não quer correr o risco de impedir um possível acordo comercial com Washington.
Além do vinho, presunto cru, parmigiano e massas e maquinário para a indústria, a moda italiana também tem força nos Estados Unidos.
“Tememos por nossas empresas. Vai depender do outro lado, se os americanos estão dispostos a pagar mais”, disse Giovanna Ceolini, da Confederação do Setor Têxtil.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, defendendo o amigo Trump, disse que as tarifas não são uma catástrofe e que o alarmismo não é necessário. Meloni criticou a União Europeia por impor novas tarifas como resposta e disse que o seu objetivo é removê-las, e não criar novas tarifas.
A Ucrânia, sob ataques militares dos russos, foi taxada em 10%. Mas para a Rússia de Vladimir Putin, nenhuma tarifa.
A China levou um baque com tarifas de 34%. O governo chinês disse estar disposto a negociar, mas, se preciso, vai adotar medidas de retaliação para defender seus interesses.
O primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, informou que seu governo está considerando “medidas apropriadas” em resposta à decisão de Trump.
Canadá e México não apareceram nesta lista de tarifas porque os dois países já tinham sido os primeiros alvos. À 0h01 começaram a valer as sobretaxas de 25% sobre carros importados. A presidente Claudia Sheinbaum disse que estava aliviada de o México não ter outros produtos taxados.
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